A proibição da customização de itens infantis

Customizar se tornou a palavra da moda ultimamente. Este verbete, ainda pouco encontrado em dicionários nacionais impressos de Língua Portuguesa, já virou termo comum em quase todas as áreas e muito recorrente no nosso dia a dia. Mas, o que significa? Em linhas gerais esse termo, vindo do inglês, significa personalizar, adaptar ou adequar algo de acordo com o gosto ou a necessidade de alguém. Inclusive, o gosto é motivador principal da customização, visto que o grande objetivo, na maioria das vezes, é tornar um objeto único e exclusivo, o que tem muito mais relação com preferência e diferenciação do que com necessidade.

Não tenho nada contra a customização, pois, sendo uma profissional que atua na área da moda, acho interessante personalizar alguns itens para exprimirmos nossa personalidade e estilo. No entanto, acredito que devamos ter critério e cuidado ao decidirmos singularizar alguns objetos, especialmente aqueles que não serão utilizados por nós, mas sim pelos nossos filhos e/ou outras crianças com as quais convivemos ou trabalhamos.

É por isso que o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) publicou uma portaria no último dia 15/10 proibindo a confecção, importação, distribuição e comercialização de chupetas, mamadeiras e bicos de mamadeiras customizados em todo o território nacional.  Ou seja, estão terminantemente proibidas quaisquer alterações dos produtos originais (colocação de itens decorativos – miçangas, pérolas, cristais – adesivos e alteração da cor do produto) que foram aprovados pelo mesmo órgão.

Essa decisão visa evitar acidentes infantis que podem vir a acontecer quando partes pequenas colocadas em chupetas ou mamadeiras se soltam (ou são arrancadas pelas próprias crianças) e possibilitam o risco de serem facilmente engolidas pelos pequenos. De acordo com o Ministério da Saúde, a sufocação é a terceira maior causa de morte de crianças de zero a 14 anos de idade, perdendo apenas para acidentes de trânsito e afogamentos.

É importante lembrar também que há mais riscos nesses enfeites: as colas usadas para fixar tais objetos são tóxicas e ficam muito próximos à boca e nariz das crianças; e eles dificultam a devida higienização das chupetas e mamadeiras.

Logo, a medida tomada pelo INMETRO é excelente! Todavia, me parece insuficiente. Se fizermos uma busca pelo Google, encontraremos diversos outros objetos de uso infantil (especialmente os feitos para bebês meninas) customizados que apresentam os mesmos (ou muito parecidos) inconvenientes como: prendedores de chupeta, sapatos, tiaras, pentes e escovas de cabelo, roupas, kit higiene. Outro item que costuma ser feito artesanalmente e às vezes possui contas e outros objetos pequenos são móbiles de berço, que ficam justamente sobre a cabeça da criança, e não temos como garantir quão seguros e bem feitos eles são.

itens perigosos

Portanto, a proibição do que pode ou não fazer parte do quarto e do conjunto de objetos de uso das crianças cabe a nós adultos que cuidamos delas, bem mais do que ao INMETRO ou qualquer outro órgão.  E que esse e outros órgãos voltados à prevenção de acidentes sejam apenas mais uma ferramenta de auxílio à padronização da segurança infantil, que deve ser nosso real estilo, gosto e necessidade.

2 comentários sobre “A proibição da customização de itens infantis

  1. Dami

    Concordo plenamente, mas nem todo mundo tem essa consciência.
    Por isso que acontecem os acidentes (que poderiam ser evitados) com os pequenos.

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Comentários...

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