A Nova Revolução Industrial: Impressão 3D

“Os homens inventam as máquinas. As máquinas reinventam os homens”

Marshall McLuhan

No post de sexta-feira passada, apresentei um breve histórico de como a produção de roupas e acessórios 3D começou a surgir na moda. Hoje trago uma breve reflexão sobre como anda a comercialização desses itens e as possíveis consequências advindas dessa nova forma de produção.

No que se refere à compra e venda, já é possível adquirir alguns itens de moda impressos em 3D. É claro que o valor ainda é bastante alto.  Contudo, com o avanço na produção dessas impressoras e o consequente barateamento dos modelos anteriores, em breve será possível que uma boa parte da população tenha uma impressora 3D em sua casa, ou que esse serviço se transforme em lugar comum.  O processo de popularização dessa tecnologia deverá ser bem parecido ao que aconteceu com o microcomputador e o telefone celular: há 20 anos eram artigos “de luxo” e privilégio de poucos. Hoje em dia, todo mundo tem pelo menos um aparelho de cada, ainda que não seja dos mais custosos e modernos.

Logo, podemos vislumbrar para um futuro próximo a possibilidade de criarmos as roupas exatamente como desejamos, nas cores, modelos, tecidos, caimentos que quisermos. Não seria o máximo? Ou para os menos criativos, poder copiar roupas e acessórios que vimos e gostamos e que são muito caros ou que não nos serviram por algum motivo. Seria um grande sonho…

Sonho, que pelo menos nos EUA já começa a ser realidade. Quem saiu na dianteira em termos de produção e venda foi a Build Shop, sediada em Los Angeles, que, dentre outros itens, produz bijuterias impressas em 3D. Para se ter uma ideia, cada modelo de anel custa, em média, US$ 50 e leva 3 horas para ficar pronto. Para ficar mais próximo de uma joia, após a impressão, o acessório, que é feito em plástico, recebe um banho de metal nobre. Os modelos disponíveis de bijus já estão prontos em softwares, mas é possível você “criar” seu próprio modelo, o que naturalmente irá encarecer a produção, pois necessitará de um estilista, ou melhor, um designer para desenhar a peça em um programa para você.

Outras empresas americanas já estão indo no mesmo caminho, vendendo o objeto pronto ou o produto em arquivo digital para ser impresso em casa, tais como: Continuun, Openknit, Cubfy.

Mas será que tudo é bom nessa nova tendência produtiva? Creio que não. Poder fazer roupas e acessórios do modo que queremos seria sim incrível, mas devemos pensar que esse modelo contemporâneo de produção em moda pode vir a tirar, num futuro ainda distante, o trabalho de muitas pessoas que trabalham nesse setor, mas nas funções que exigem menor escolaridade, como costureiras e vendedores. Ou podem incentivar ainda mais um consumismo exagerado, ao conseguirmos maior facilidade de atender aos nossos caprichos e impulsos fashion com alguns poucos cliques no computador e na impressora. Onde vamos colocar no nosso mundo já superlotado todas as roupas e acessórios que imprimiremos? Se não damos conta de reciclar e descartar corretamente tudo o que produzimos e consumimos agora, será que daremos conta de mais um monte de produtos (e impressoras) a serem fabricados?

Posso estar sendo fatalista e dramática, mas considero necessário pensarmos sobre tudo de bom e de ruim que se ganha ao inserirmos essa tecnologia na nossa vida. Se a entrada das máquinas no lugar da manufatura na produção de produtos nos séculos XVIII e XIX criou a Revolução Industrial que modificou definitivamente a sociedade e a economia mundial (para o bem e para o mal), o avanço dessas novas tecnologias digitais deve novamente trazer transformações radicais e decisivas para todos. Só espero que as mesmas produzam menos desigualdade, menos escravidão ao tempo e ao trabalho, e menor desperdício dos nossos já escassos recursos naturais.

Observação: Por motivos técnicos e profissionais, o post de sexta-feira saiu hoje, no sábado. Peço desculpas aos leitores pelo atraso de um dia na postagem. Mas, como já os havia alertado: isso é vida real. 🙂

Para saber mais: Vídeo interessante com o início do programa “Mundo S.A.” do canal Globo News que tratou sobre empresas nacionais e estrangeiras que já estão produzindo diversos objetos em 3D. Para assisti-lo, basta acessar o link abaixo:

http://g1.globo.com/globo-news/globo-news-documento/videos/t/outros-programas/v/mundo-sa-a-nova-revolucao-industrial-a-impressao-3d/4417756/

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