O Risco de Sentar na Posição em “W”

Quando temos um filho, precisamos nos preocupar em criar nele vários hábitos saudáveis: comer bem, praticar esportes, realizar higiene corporal e mental. No entanto, existem alguns hábitos que às vezes nos esquecemos de estimular nas crianças ou não damos a devida importância. Manter uma postura correta costuma ser um dos hábitos negligenciados, embora seja de extrema importância para a saúde de qualquer pessoa.

A falta de preocupação com a postura adequada nem sempre acontece por desleixo ou falta de cuidado. Dá-se por desconhecimento também. Por isso, é bom conversar com o pediatra ou o ortopedista pediátrico sobre as questões referentes à estatura corporal dos pequenos.

Um desses cuidados é não deixar a criança criar o hábito de ficar sentada com a perna em “W” por muito tempo. Sentar em “W” refere-se à postura assumida quando a criança senta-se no chão com as pernas posicionadas no formato da letra, conforme se pode ver na figura abaixo (me dá agonia só de olhar!)

w

Essa é uma das muitas posições que seu filho pode adotar enquanto brinca sentado. Em relação a isso não há problema, pois é normal que a criança varie entre diferentes posturas durante a brincadeira e nesse processo de conhecer e experimentar seu próprio corpo. Inclusive, a alternância entre posturas é extremamente benéfica para os pequenos, pois as trocas entre posturas ajudam a desenvolver os músculos do tronco e, mais importante, ajudam a formar as primeiras noções de equilíbrio e consciência corporal, tão importantes para o resto da vida.

A dificuldade da postura em questão é que o “W” é tão estável que não permite à criança exercitar seu equilíbrio, além de limitar as rotações de tronco e as transferências de peso laterais (feitas, por exemplo, ao alcançar um objeto que não esteja na nossa frente).

Logo, ao experimentar essa pose, a criança pode definir essa forma de sentar-se simplesmente por não ter de se preocupar com equilíbrio enquanto manipula um brinquedo, o que facilita a brincadeira. Isso nos faz concluir que essa é, sim, uma postura confortável e preferível por muitas crianças. Mas que não deve ser mantida. Por isso, os pais não devem ficar com pena de pedir aos seus filhos que mudem de posição. Pode ser cansativo no começo para a criança sentar-se de outra forma, mas será um ganho enorme em termos de saúde para os pequenos.

Quando a criança assume predominantemente a postura em “W”, essa escolha pode vir a gerar problemas nos ossos e na musculatura. Tudo porque os quadris ficam no limite da rotação interna, predispondo a criança a problemas ortopédicos futuros (no próprio quadril, nos pés e nos joelhos). Essa posição favorece a instalação de encurtamentos e contraturas musculares, particularmente nas partes posterior e interna das coxas e na panturrilha. A postura em “W” também pode afetar o desenvolvimento ósseo, favorecendo um desalinhamento da cabeça do fêmur e rotação interna da tíbia (osso entre tornozelo e joelho).

Soma-se ainda um comprometimento da coordenação motora, pois para um bom e preciso movimento dos membros  inferiores e superiores (especialmente o movimento fino e meticuloso das mãos) é preciso um equilíbrio do tronco, que pode vir a ser afetado se a criança não desenvolver essa firmeza e estabilidade desde pequena, habilidades não estimuladas pela posição em dáblio.

O que os pais e os cuidadores de crianças podem fazer?

1 – As crianças devem ser estimuladas a mudar a posição e chamadas à atenção para corrigirem a postura sempre que a posição em “W” for a preferencial.

2 – Fornecer estímulos táteis para as mãos, que não se encontrem na frente dos pequenos,  também os ajudam  a modificar a posição por si mesmos.

3 – No caso de bebês que estão começando a se sentar e ainda não entendem tão bem a linguagem verbal, você pode ajudá-los a modificar a posição com suas próprias mãos, guiando-os, por exemplo, para a postura de pernas cruzadas, ou outra postura conveniente à atividade que esteja sendo desenvolvida.

4 – Em se tratando de crianças com disfunção neuromotora, esse cuidado deve ser ainda maior, pois, diferentemente dos demais pequenos, elas não se sentam assim por hábito, mas porque essa posição realmente parece mais possível para as limitações que possuem. E, por possuírem de fato uma patologia, o comprometimento motor e físico pela postura errada pode ser ainda mais grave. Logo, essas crianças precisam ser mais estimuladas a manter posturas mais corretas e saudáveis.

5 – Seguem imagens de outras posições que o seu filho poderá usar para se sentar com mais segurança:

sentados

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