Ano Novo: Estilo e Organização Renovados

Andei bastante sumida nos últimos meses do Blog. E essa ausência se deu por vários motivos: alguns bons como realização de novos cursos, estudos por conta própria, trabalho… Outros nem tanto. Doença, perda de pessoas queridas, cansaço, calor!!!

E esse período de afastamento do site e das redes sociais me fez ver que existem momentos em que precisamos parar para pensar e criar (ou adaptar) algumas direções. Sim, todos nós precisamos e devemos fazer isso com certa regularidade. Inclusive e principalmente, aquelas pessoas que trabalham com organização e consultoria de imagem como eu. Se minha função é entender a necessidade de outra pessoa, levá-la a um autoconhecimento e ajudá-la a facilitar a própria vida, seja tendo tudo mais organizado ou um guarda-roupa coerente com quem se é, eu preciso também estar com a minha percepção sobre quem sou e sobre as minhas necessidades sempre tinindo.

E ao fazer isso me atentei para muitas coisas que compartilho com vocês neste último dia do ano:

  1. A organização e o planejamento devem ser soluções, não problemas. Quando criei o Blog escrevi um Post dizendo como o mesmo funcionaria e a frequência de posts que publicaria semanalmente. Depois me vi sofrendo por não dar conta do que havia planejado. Foi quando percebi o quão exigente estava sendo comigo mesma, além de tola, ao esquecer que a organização e o planejamento têm que trabalhar a meu favor e não contra mim. Se você se programou para fazer alguma coisa e por motivos diversos não conseguiu é hora de rever prioridades, estabelecer novas metas, e se reorganizar. Poucas coisas são definitivas na vida e as que não são não precisam se tornar. Portanto, utilize a organização como ferramenta par melhorar a vida e não como algema.
  2. Pessoas organizadas conseguem aproveitar melhor seu tempo, mas ainda assim não fazem tudo o que desejam. Eu por exemplo não dou conta de fazer tudo o que gostaria, não porque falte ordem e planejamento, mas simplesmente porque falta tempo mesmo. O dia só tem 24 horas e os meus desejos e anseios são infinitos. Como diz Djavan, “Nem que eu bebesse o mar encheria o que eu tenho de fundo”. Portanto, sempre faltará tempo.  E por mais organizado que se seja não conseguimos mudar isso. Às vezes é preciso entender que, para darmos conta de tudo o que desejamos, precisamos fazer algumas ações com menos frequência do que gostaríamos. Porém, acho que o importante é não deixar de fazer o que nos dá prazer. Ainda que em doses homeopáticas.
  3. Inspiração não vem quando a gente quer. E para escrever aqui no Blog, mais do que vontade é preciso estar inspirada, ter propósito, conteúdo de qualidade. Escrever por escrever não vale a pena. É bacana entender que tem dias nos quais as coisas simplesmente não funcionam como gostaríamos.  E saber que não precisa se desesperar. Vai passar e daqui a pouco melhora e a inspiração (ou aquele outro sentimento ou habilidade que estamos precisando) volta!
  4. Estamos mudando a cada dia e isso não necessariamente é ruim. Apenas precisamos estar muito atentos a nós mesmos para percebermos essas modificações que acontecem. Quanto mais vigilantes estivermos com nossas necessidades e limites, melhor lidaremos com as situações que aparecerem na nossa vida. Um curso novo (como os que eu fiz), conversas, filmes, música, entre tantas outras coisas podem provocar transformações em nós muito significativas. E aí, basta apenas irmos redesenhando os nossos passos, buscando sempre aquelas coisas que agora nos representam melhor e nos auxiliam a vida.

Portanto para 2016, a mudança é que o Blog continuará com os seus temas, só que com a frequência possível. Não prometo datas certas, nem números determinados de posts. Contudo, estarei aqui sempre que estiver inspirada para compartilhar um pouco do que estudo, aplico e vejo no meu dia a dia e no meu trabalho.

E para você que me lê, desejo um Ano Novo cheio de possibilidades: com organização sem amarras, e com muito estilo, o seu é claro, o qual (assim como tudo nessa vida) estará em constante movimento e evolução por todos os dias que virão. Que em 2016 possamos estar sempre nos reencontrando conosco, com a nossa melhor versão!

Arrumar X Organizar: Iguais ou Diferentes?

“Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.”

Mário Quintana

Sou formada em Letras e sempre tive um grande amor pelas palavras. Embora gostasse de tudo o que se referia à Língua Portuguesa, uma das minhas preferências sempre foi a semântica, que estuda o significado das palavras.

Quando cursei essa disciplina na faculdade, me lembro do choque que tive ao descobrir que para alguns linguistas e estudiosos da nossa língua, como Joaquim Mattoso Câmara Jr., não existem sinônimos perfeitos, ou seja, não há palavra que possa ser substituída por outra fornecendo exatamente o mesmo sentido. Existem palavras que possuem aproximação de ideias, conceitos, mas que no fundo não exprimem a mesma significação.

E isso pode ser comprovado através da dupla de verbos “arrumar” e “organizar”. Ambas as palavras são sinônimas? Sim, claro! Portanto, dizem a mesma coisa? Não, sendo essa negativa afirmada por Mattoso, por mim e por todos os Personal Organizers que conheço ;).

Indo ao dicionário Michaelis Online, conseguimos esclarecer a diferença semântica entre os termos:

arrumar 
ar.ru.mar
(fr arrumer, formado do germ rûmvtd 1 Arranjar, pôr em ordem: Arrumar a casa. vtd 2 Dirigir em determinado rumo. vtd 3 Náut Colocar e distribuir bem (a carga de um navio); estivar. vtd 4 Ordenar ou distribuir segundo os rumos. vtd 5 Empregar num ofício ou indústria: Arrumou o filho numa companhia impressoravtd 6 Reunir (o gado) para descansar ou pernoitar.vtd 7 Arremessar, atirar: Os moleques arrumavam pedras às laranjeiras.Arrumou a bola nas costas de um transeunte. vtd 8 Pespegar:Arrumaram-lhe alguns bofetõesvpr 9 Avir-se: Arrume-se como puder.vpr 10 Tirar bom partido do emprego ou comissão. vtd e vpr 11 Casar. vint 12Colocar-se, empregar-se, estabelecer-se. vtd 13 Dar cabo de; matar. Antôn(acepção 1): desarrumarArrumar as contas: escriturar os livros e registros de uma casa de comércio a a vara: deixar a magistratura por expirar o tempo da jurisdição. Arrumar os livros: pô-los em ordem; o mesmo que arrumar as contas.

organizar 
or.ga.ni.zar
(órgano+izar3vtd 1 Criar, preparar e dispor convenientemente as partes de um organismo: Do pó da terra o Criador organizou o primeiro homemvtd2 Dispor para funcionar; estabelecer com base: Organizar instituições, organizar uma empresa, organizar o ministério. vpr 3 Constituir-se, formar-se; tomar organização definitiva: A companhia já pode organizar-se.vtd 4 Arranjar, ordenar, preparar: Organizar a defesa, organizar a campanha eleitoral.

Pela definição do dicionário, percebemos que arrumar possui muito mais sentidos e está mais relacionado a arranjo, enquanto organização se refere à criação.

Na área da organização, fazemos a seguinte distinção:

arrumado organizado

Foto Chinelos: Pinterest

Nesse campo profissional, arrumar possui o sentido de colocar os objetos em lugares que não atrapalham e que não poluam visualmente, geralmente se preocupando em achar a forma que ocupe o menor espaço possível, sem se ater a questões como facilidade e rapidez de acesso, tampouco com a lógica da disposição dos itens.

Organizar é criar critérios de categorização observando diversas variáveis como frequência de uso, função, agrupamento, tamanho, tipo, cores, tudo isso com o intuito de fazer com que cada objeto tenha seu lugar específico na casa. O ideal da organização é que você consiga saber mentalmente onde está cada objeto, não porque você tem uma excelente memória, mas sim porque tudo tem uma razão de estar naquele lugar e não em qualquer outra parte da sua residência.

Logo, podemos concluir com toda essa conversa que arrumação e organização são parecidas, mas não iguais. E que arrumar é colocar as coisas no rumo que foi construído pela organização e que ambas funcionam como a corda e a caçamba. Por conseguinte, além de sinônimas no idioma, elas andam sempre juntas em espaços organizados, sendo a arrumação  continuidade e  manutenção da organização feita.

Considerações Sobre o Armário Cápsula

Hoje vou falar sobre a moda na moda: o armário cápsula, uma tendência que vem invadindo os guarda-roupas pelo mundo afora. Para quem não conhece, segue uma breve explicação: essa prática consiste em reorganizar as roupas que você já tem (e comprar poucas coisas que sejam necessárias) para montar um closet compacto que será usado por toda a estação. Então, a cada 3  meses você escolhe um número determinado de peças (que podem ser 37, 40, 33 ou até 17!!) e fica todo esse período somente utilizando essas roupas. Mas, é óbvio que o ideal é que não passe de 50 itens, visto que a proposta é ter e consumir menos.  Nessa conta não entram roupa de dormir, de ficar em casa, de academia e nem acessórios. Mas os sapatos ficam na cápsula, então, não vai dar mais para virar uma centopeia. Outro ponto importante é que as roupas que não são da estação ficam guardadas fora do alcance de visão e serão recuperadas somente quando o clima estiver pedindo e o trimestre já tiver passado.

 Para maiores detalhes dessa prática sugiro os seguintes Blogs: o Unfancy que é da “propagadora da ideia” na atualidade, a Caroline (o inconveniente para alguns é que o site é em inglês) e o Teoria Criativa, no qual a Gabi além de falar sobre o miniarmário mostra as suas escolhas da estação.

Embora já soubesse desse movimento antes, só me interessei em falar sobre ele agora, depois que suas entusiastas já o utilizaram por volta de um ano ou um pouco mais e começaram a ter algum resultado. No geral, as adeptas do movimento dizem que descobriram que podem viver com bem menos do que imaginavam, que se sentem mais felizes agora (e com mais roupa do que antes quando tinha armários lotados) e que tem valido muito a pena fazer a compactação do vestir.

Não tenho dúvida. Conseguir passar três meses usando 37 itens deve ser mesmo comemorado. E acho a Idea de ter um armário-cápsula louvável! Adoraria que o mundo conseguisse reduzir o consumismo em moda a ponto de ter menos e aproveitar melhor o que se tem. Mas é aí que mora o principal defeito, ou o Calcanhar de Aquiles dessa filosofia: ela não é nada fácil de ser colocada em prática.

Para atingir esse grau de ter uma quantidade limitada de peças e passar três meses sem comprar nada a mais para a estação vigente (a não ser que aconteça algum acidente com alguma peça) é preciso ter um autoconhecimento profundo. Saber o que fica bem em você, o que combina com o que, quais cores escolher, sua rotina de atividades em cada época do ano… Se você consegue fazer isso com facilidade e sem precisar de ajuda, não entendo porque tinha um mundo de roupas. Puro consumismo? Talvez.

Para além das das minhas incompreensões, conseguir seguir todas essas diretrizes sem o risco de se perder, se pasteurizar e ficar sem estilo é um grande desafio. Por isso, sugiro que as pessoas que quiserem seguir a tendência façam anteriormente um profundo estudo sobre si mesmas, sobre a sua região (o clima é assim tão definido onde você mora?), sobre a frequência de lavagem de roupa (não dá pra ter 5 blusas no armário de verão se você lava as roupas quinzenalmente), sobre seu local de trabalho (trabalha em um ambiente com ar refrigerado super potente?) entre outras reflexões para poder dar início à empreitada. E desejo muito sucesso e boa sorte. Confesso que também tentarei entrar nessa onda, mas proponho que a sigamos sem paranoia, ok? Vestir-se tem que ser um prazer e não um momento diário de tortura. E não precisamos fazer isso porque está na moda, porque várias pessoas estão fazendo, mas porque simplesmente  esse exercício ajuda e muito nossa compreensão sobre nós mesmas (sendo feito com menos amarras na Consultoria de Imagem), além de melhorar a aparência e organização do nosso guarda-roupa.

Ah e só mais uma coisinha: se a sua ideia é mesmo ter menos e fazer um consumo consciente, coloque na sua cápsula todos aqueles itens considerados “fora da conta”. Pois não vejo sentido em você ter menos roupas de lazer e trabalho e milhares de roupas de dormir, de ir malhar, acessórios, etc. Menos é menos, então já que é pra mudar a forma de encarar o mundo fashion e o consumismo, que tudo o que é de vestir seja em quantidades realmente adequadas a nossa estação, guarda-roupa, bolso e consciência ambiental. Ainda que passe um pouco de 37 😉 .

Para quem prefere vídeos: Querido Click por Nina Paiva.