O Caminho da Moda para as Índias

Continuo sumida do Blog. Como já havia explicado para vocês no último Post, escreveria quando me sentisse inspirada. Ando lendo muita coisa, assistindo muitos filmes, e pensando bastante sobre tudo o que tem preenchido meu tempo livre. Nessas buscas por mais conhecimento profissional e pessoal, me deparei, no Blog da Oficina do Estilo, do qual gosto bastante, com uma matéria interessante sobre descarte das nossas roupas.

Pouco pensamos nessa parte do processo de se vestir. Nos preocupamos com o que comprar, onde, quanto pagar, como combinar e até, às vezes, pensamos rapidamente sobre como nos livraremos das  peças que não queremos mais. Esta última preocupação, quando existente, é solucionada rapidamente, com a ida da vestimenta para a doação, e na tendência atual, a venda ou a troca. Possibilidades ruins? De forma alguma, todas legítimas e viáveis. Porém, mesmo depois de doadas, vendidas ou trocadas, essas peças continuam existindo e em algum momento vão para o lixo… E é nesse ponto que nossa preocupação e raciocínio param. Infelizmente, do ponto que talvez devesse se iniciar.

Ainda bem que para alguns a inquietação não para nesse ponto. E são eles que nos ajudam a refletir profundamente sobre esta questão. Um bom exemplo disso é o documentário muito interessante chamado Unravel, que explica o processo de reciclagem de roupas que acontece na Índia, depois que as mesmas são rejeitadas no Ocidente. Afinal, esse país não é feito só de Maya(s) e Raj(s), como apresentados na novela “Caminho das Índias“.

Embora curto, o documentário é bastante instigante e nos leva a refletir sobre roupas, uso e desuso, e também sobre pessoas, suas diferentes culturas e padrões de consumo, como nos mostra o vídeo e a entrevista com uma indiana que é uma das produtoras do mesmo, ambos os materiais podendo ser vistos aqui. Cabe destacar ainda, que o documentário mostra um pouco dessa realidade, mas não toda, o que abre espaço para ainda mais indagações… Pois, de certo, todas as roupas do mundo não param na Índia, mas ainda assim, não parecem ter um destino melhor que seria possível. Sem contar as questões trabalhistas e humanitárias relacionas à função desempenhada por essas indianas nas indústrias de reciclagem, também não contempladas no vídeo, porém, impossíveis de serem desconsideradas ao assistirmos o vídeo e lermos a reportagem.

Ao trazer esse material para o Blog, quero convidar você que me lê, e a todos nós que nos vestimos a pensar também nessas questões. Afinal, em algum momento essas peças terminarão sua vida útil e onde terminam? Como terminam? Quanto tempo duram no nosso ambiente? Quanto tempo demoram para se decompor?

Talvez, ao pensarmos nessas perguntas e em tudo o que é dito na entrevista e visto no documentário, consigamos entender que ninguém aqui está sugerindo que andemos nus, mas que também não precisamos inundar outros países com nosso lixo excessivo. Se descartamos tanta roupa (em sua maioria em bom estado), será que realmente precisávamos de tanta coisa? A não produção de lixo é um devaneio, mas será mesmo que cem mil toneladas de roupas desprezadas expressam a nossa necessidade no vestir?

Torço que consigamos um dia fazer um caminho para as Índias diferente do que temos feito desde as grandes navegações europeias, com o intuito de explorar, lucrar e nos livrarmos lá, dos nossos problemas daqui. E que neste novo caminho, de mão dupla(!), consigamos, então, esclarecer as diferenças culturais e nos conhecer uns aos outros, coisa que apesar de viagens constantes de pessoas e/ou objetos, como bem mostrado nos materiais acima citados, desde o século XV ainda não obtivemos êxito.

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