Ano Novo: Estilo e Organização Renovados

Andei bastante sumida nos últimos meses do Blog. E essa ausência se deu por vários motivos: alguns bons como realização de novos cursos, estudos por conta própria, trabalho… Outros nem tanto. Doença, perda de pessoas queridas, cansaço, calor!!!

E esse período de afastamento do site e das redes sociais me fez ver que existem momentos em que precisamos parar para pensar e criar (ou adaptar) algumas direções. Sim, todos nós precisamos e devemos fazer isso com certa regularidade. Inclusive e principalmente, aquelas pessoas que trabalham com organização e consultoria de imagem como eu. Se minha função é entender a necessidade de outra pessoa, levá-la a um autoconhecimento e ajudá-la a facilitar a própria vida, seja tendo tudo mais organizado ou um guarda-roupa coerente com quem se é, eu preciso também estar com a minha percepção sobre quem sou e sobre as minhas necessidades sempre tinindo.

E ao fazer isso me atentei para muitas coisas que compartilho com vocês neste último dia do ano:

  1. A organização e o planejamento devem ser soluções, não problemas. Quando criei o Blog escrevi um Post dizendo como o mesmo funcionaria e a frequência de posts que publicaria semanalmente. Depois me vi sofrendo por não dar conta do que havia planejado. Foi quando percebi o quão exigente estava sendo comigo mesma, além de tola, ao esquecer que a organização e o planejamento têm que trabalhar a meu favor e não contra mim. Se você se programou para fazer alguma coisa e por motivos diversos não conseguiu é hora de rever prioridades, estabelecer novas metas, e se reorganizar. Poucas coisas são definitivas na vida e as que não são não precisam se tornar. Portanto, utilize a organização como ferramenta par melhorar a vida e não como algema.
  2. Pessoas organizadas conseguem aproveitar melhor seu tempo, mas ainda assim não fazem tudo o que desejam. Eu por exemplo não dou conta de fazer tudo o que gostaria, não porque falte ordem e planejamento, mas simplesmente porque falta tempo mesmo. O dia só tem 24 horas e os meus desejos e anseios são infinitos. Como diz Djavan, “Nem que eu bebesse o mar encheria o que eu tenho de fundo”. Portanto, sempre faltará tempo.  E por mais organizado que se seja não conseguimos mudar isso. Às vezes é preciso entender que, para darmos conta de tudo o que desejamos, precisamos fazer algumas ações com menos frequência do que gostaríamos. Porém, acho que o importante é não deixar de fazer o que nos dá prazer. Ainda que em doses homeopáticas.
  3. Inspiração não vem quando a gente quer. E para escrever aqui no Blog, mais do que vontade é preciso estar inspirada, ter propósito, conteúdo de qualidade. Escrever por escrever não vale a pena. É bacana entender que tem dias nos quais as coisas simplesmente não funcionam como gostaríamos.  E saber que não precisa se desesperar. Vai passar e daqui a pouco melhora e a inspiração (ou aquele outro sentimento ou habilidade que estamos precisando) volta!
  4. Estamos mudando a cada dia e isso não necessariamente é ruim. Apenas precisamos estar muito atentos a nós mesmos para percebermos essas modificações que acontecem. Quanto mais vigilantes estivermos com nossas necessidades e limites, melhor lidaremos com as situações que aparecerem na nossa vida. Um curso novo (como os que eu fiz), conversas, filmes, música, entre tantas outras coisas podem provocar transformações em nós muito significativas. E aí, basta apenas irmos redesenhando os nossos passos, buscando sempre aquelas coisas que agora nos representam melhor e nos auxiliam a vida.

Portanto para 2016, a mudança é que o Blog continuará com os seus temas, só que com a frequência possível. Não prometo datas certas, nem números determinados de posts. Contudo, estarei aqui sempre que estiver inspirada para compartilhar um pouco do que estudo, aplico e vejo no meu dia a dia e no meu trabalho.

E para você que me lê, desejo um Ano Novo cheio de possibilidades: com organização sem amarras, e com muito estilo, o seu é claro, o qual (assim como tudo nessa vida) estará em constante movimento e evolução por todos os dias que virão. Que em 2016 possamos estar sempre nos reencontrando conosco, com a nossa melhor versão!

Arrumar X Organizar: Iguais ou Diferentes?

“Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.”

Mário Quintana

Sou formada em Letras e sempre tive um grande amor pelas palavras. Embora gostasse de tudo o que se referia à Língua Portuguesa, uma das minhas preferências sempre foi a semântica, que estuda o significado das palavras.

Quando cursei essa disciplina na faculdade, me lembro do choque que tive ao descobrir que para alguns linguistas e estudiosos da nossa língua, como Joaquim Mattoso Câmara Jr., não existem sinônimos perfeitos, ou seja, não há palavra que possa ser substituída por outra fornecendo exatamente o mesmo sentido. Existem palavras que possuem aproximação de ideias, conceitos, mas que no fundo não exprimem a mesma significação.

E isso pode ser comprovado através da dupla de verbos “arrumar” e “organizar”. Ambas as palavras são sinônimas? Sim, claro! Portanto, dizem a mesma coisa? Não, sendo essa negativa afirmada por Mattoso, por mim e por todos os Personal Organizers que conheço ;).

Indo ao dicionário Michaelis Online, conseguimos esclarecer a diferença semântica entre os termos:

arrumar 
ar.ru.mar
(fr arrumer, formado do germ rûmvtd 1 Arranjar, pôr em ordem: Arrumar a casa. vtd 2 Dirigir em determinado rumo. vtd 3 Náut Colocar e distribuir bem (a carga de um navio); estivar. vtd 4 Ordenar ou distribuir segundo os rumos. vtd 5 Empregar num ofício ou indústria: Arrumou o filho numa companhia impressoravtd 6 Reunir (o gado) para descansar ou pernoitar.vtd 7 Arremessar, atirar: Os moleques arrumavam pedras às laranjeiras.Arrumou a bola nas costas de um transeunte. vtd 8 Pespegar:Arrumaram-lhe alguns bofetõesvpr 9 Avir-se: Arrume-se como puder.vpr 10 Tirar bom partido do emprego ou comissão. vtd e vpr 11 Casar. vint 12Colocar-se, empregar-se, estabelecer-se. vtd 13 Dar cabo de; matar. Antôn(acepção 1): desarrumarArrumar as contas: escriturar os livros e registros de uma casa de comércio a a vara: deixar a magistratura por expirar o tempo da jurisdição. Arrumar os livros: pô-los em ordem; o mesmo que arrumar as contas.

organizar 
or.ga.ni.zar
(órgano+izar3vtd 1 Criar, preparar e dispor convenientemente as partes de um organismo: Do pó da terra o Criador organizou o primeiro homemvtd2 Dispor para funcionar; estabelecer com base: Organizar instituições, organizar uma empresa, organizar o ministério. vpr 3 Constituir-se, formar-se; tomar organização definitiva: A companhia já pode organizar-se.vtd 4 Arranjar, ordenar, preparar: Organizar a defesa, organizar a campanha eleitoral.

Pela definição do dicionário, percebemos que arrumar possui muito mais sentidos e está mais relacionado a arranjo, enquanto organização se refere à criação.

Na área da organização, fazemos a seguinte distinção:

arrumado organizado

Foto Chinelos: Pinterest

Nesse campo profissional, arrumar possui o sentido de colocar os objetos em lugares que não atrapalham e que não poluam visualmente, geralmente se preocupando em achar a forma que ocupe o menor espaço possível, sem se ater a questões como facilidade e rapidez de acesso, tampouco com a lógica da disposição dos itens.

Organizar é criar critérios de categorização observando diversas variáveis como frequência de uso, função, agrupamento, tamanho, tipo, cores, tudo isso com o intuito de fazer com que cada objeto tenha seu lugar específico na casa. O ideal da organização é que você consiga saber mentalmente onde está cada objeto, não porque você tem uma excelente memória, mas sim porque tudo tem uma razão de estar naquele lugar e não em qualquer outra parte da sua residência.

Logo, podemos concluir com toda essa conversa que arrumação e organização são parecidas, mas não iguais. E que arrumar é colocar as coisas no rumo que foi construído pela organização e que ambas funcionam como a corda e a caçamba. Por conseguinte, além de sinônimas no idioma, elas andam sempre juntas em espaços organizados, sendo a arrumação  continuidade e  manutenção da organização feita.

Considerações Sobre o Armário Cápsula

Hoje vou falar sobre a moda na moda: o armário cápsula, uma tendência que vem invadindo os guarda-roupas pelo mundo afora. Para quem não conhece, segue uma breve explicação: essa prática consiste em reorganizar as roupas que você já tem (e comprar poucas coisas que sejam necessárias) para montar um closet compacto que será usado por toda a estação. Então, a cada 3  meses você escolhe um número determinado de peças (que podem ser 37, 40, 33 ou até 17!!) e fica todo esse período somente utilizando essas roupas. Mas, é óbvio que o ideal é que não passe de 50 itens, visto que a proposta é ter e consumir menos.  Nessa conta não entram roupa de dormir, de ficar em casa, de academia e nem acessórios. Mas os sapatos ficam na cápsula, então, não vai dar mais para virar uma centopeia. Outro ponto importante é que as roupas que não são da estação ficam guardadas fora do alcance de visão e serão recuperadas somente quando o clima estiver pedindo e o trimestre já tiver passado.

 Para maiores detalhes dessa prática sugiro os seguintes Blogs: o Unfancy que é da “propagadora da ideia” na atualidade, a Caroline (o inconveniente para alguns é que o site é em inglês) e o Teoria Criativa, no qual a Gabi além de falar sobre o miniarmário mostra as suas escolhas da estação.

Embora já soubesse desse movimento antes, só me interessei em falar sobre ele agora, depois que suas entusiastas já o utilizaram por volta de um ano ou um pouco mais e começaram a ter algum resultado. No geral, as adeptas do movimento dizem que descobriram que podem viver com bem menos do que imaginavam, que se sentem mais felizes agora (e com mais roupa do que antes quando tinha armários lotados) e que tem valido muito a pena fazer a compactação do vestir.

Não tenho dúvida. Conseguir passar três meses usando 37 itens deve ser mesmo comemorado. E acho a Idea de ter um armário-cápsula louvável! Adoraria que o mundo conseguisse reduzir o consumismo em moda a ponto de ter menos e aproveitar melhor o que se tem. Mas é aí que mora o principal defeito, ou o Calcanhar de Aquiles dessa filosofia: ela não é nada fácil de ser colocada em prática.

Para atingir esse grau de ter uma quantidade limitada de peças e passar três meses sem comprar nada a mais para a estação vigente (a não ser que aconteça algum acidente com alguma peça) é preciso ter um autoconhecimento profundo. Saber o que fica bem em você, o que combina com o que, quais cores escolher, sua rotina de atividades em cada época do ano… Se você consegue fazer isso com facilidade e sem precisar de ajuda, não entendo porque tinha um mundo de roupas. Puro consumismo? Talvez.

Para além das das minhas incompreensões, conseguir seguir todas essas diretrizes sem o risco de se perder, se pasteurizar e ficar sem estilo é um grande desafio. Por isso, sugiro que as pessoas que quiserem seguir a tendência façam anteriormente um profundo estudo sobre si mesmas, sobre a sua região (o clima é assim tão definido onde você mora?), sobre a frequência de lavagem de roupa (não dá pra ter 5 blusas no armário de verão se você lava as roupas quinzenalmente), sobre seu local de trabalho (trabalha em um ambiente com ar refrigerado super potente?) entre outras reflexões para poder dar início à empreitada. E desejo muito sucesso e boa sorte. Confesso que também tentarei entrar nessa onda, mas proponho que a sigamos sem paranoia, ok? Vestir-se tem que ser um prazer e não um momento diário de tortura. E não precisamos fazer isso porque está na moda, porque várias pessoas estão fazendo, mas porque simplesmente  esse exercício ajuda e muito nossa compreensão sobre nós mesmas (sendo feito com menos amarras na Consultoria de Imagem), além de melhorar a aparência e organização do nosso guarda-roupa.

Ah e só mais uma coisinha: se a sua ideia é mesmo ter menos e fazer um consumo consciente, coloque na sua cápsula todos aqueles itens considerados “fora da conta”. Pois não vejo sentido em você ter menos roupas de lazer e trabalho e milhares de roupas de dormir, de ir malhar, acessórios, etc. Menos é menos, então já que é pra mudar a forma de encarar o mundo fashion e o consumismo, que tudo o que é de vestir seja em quantidades realmente adequadas a nossa estação, guarda-roupa, bolso e consciência ambiental. Ainda que passe um pouco de 37 😉 .

Para quem prefere vídeos: Querido Click por Nina Paiva.

Como Organizar a Geladeira – Parte 2

No Post de hoje finalizarei as dicas de como organizar a geladeira, esse eletrodoméstico dos deuses! Pensa bem, passarmos esse verão que se aproxima sem poder contar com nossa água gelada, as pedras de gelo para refrescar as bebidas quentes, o freezer para guardar aquele delicioso e refrescante sorvete…

Para começar bem essa arrumação, deve-se tirar o que tem na geladeira e ir limpando a mesma com pano úmido e pano seco (ou pano umedecido em sabão neutro). No caso de usar sabão, passar pano úmido depois e por fim pano seco. O ideal é que façamos essa limpeza naquele dia em que a geladeira está mais vazia, na véspera da ida ao mercado, preferencialmente. Afinal, os alimentos ficarão mal refrigerados porque a geladeira estará aberta e muitas comidas serão retiradas do eletrodoméstico para fazer a higienização do aparelho.  Portanto, seja caprichoso, mas veloz na limpeza. As prateleiras também podem ser retiradas e lavadas na pia, sendo secas depois.

Na hora de devolver os produtos, devemos lembrar que as prateleiras recebem refrigeração diferenciada. Por isso, devemos colocar os alimentos mais perecíveis nas prateleiras de cima e os mais resistentes nas prateleiras debaixo. A imagem abaixo ilustra bem essa ordem:

 geladeira

Foto: Blog Bem Demais

É importante ressaltar também que:

  • Não devemos colocar panelas dentro da geladeira. Ocupam muito espaço, não vedam bem a entrada de ar na comida, não são benéficas para a saúde (o alimento ficará muito tempo em contato com o material da panela).
  • Armazene alimentos prontos em potes de vidro (preferencialmente) bem tampados.
  • Ovos sempre dentro do corpo da geladeira e não devem ser lavados (molhados) em hipótese nenhuma.
  • A limpeza do refrigerador deve acontecer quinzenal ou mensalmente, conforme for a quantidade de uso. Quanto mais ele for usado, menor deve ser o intervalo da higienização.
  • Sempre que possível tampe pudins, bolos, etc. Dessa form não ressecarão e nem ficarão com aquele “gosto de geladeira”.

 

Organizando a sua alimentação: como arrumar a geladeira – Parte 1

A geladeira é um dos eletrodomésticos mais importantes na nossa casa. É graças a ela que conseguimos comprar comida em maiores quantidades (o que nos possibilita menos idas ao supermercado) e armazenar durante mais tempo alimentos abertos que não foram totalmente consumidos ou restos de comidas que sobraram da última refeição.

No entanto, às vezes tratamos a mesma como um depósito, um armário, e colocamos tudo de qualquer jeito ali dentro.  Esquecemos de que ela é um aparelho pensado para agir segundo uma funcionalidade específica e que sua durabilidade enquanto eletrodoméstico, assim como a durabilidade dos produtos guardados dentro dela, variará conforme o uso adequado.

O objetivo primordial da geladeira é manter a comida resfriada. Com o resfriamento, as bactérias existentes nos alimentos demoram mais a se proliferar, o que os torna aptos ao consumo por um prazo maior de tempo. Mas não para sempre! Portanto, nada daquele pensamento: “tá velho mais está na geladeira, não tem problema” (ouço muito isso do meu marido). Refrigerador ajuda, porém não faz milagre. Então respeite o prazo de validade dos alimentos e de deterioração dos mesmos. Uma boa base para seguir é essa abaixo:

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Foto: Retirada da Internet. Adoraria colocar a referência da foto, mas eu a encontrei em tantos sites, que eu não sei quem é o dono da imagem.

No que se refere à figura acima, vale destacar que essa validade se refere a produtos abertos, em uso, e não estamos falando de freezer nem de congelador e sim do corpo da geladeira. O iogurte, por exemplo, só vale 1 dia na geladeira se já estiver aberto. Se estiver fechado, é para ser usada a validade da embalagem. A mesma regra vale para outros alimentos.

Outro detalhe importante é que tudo o que entra na geladeira deve estar limpo. Portanto, caixa de leite, suco, embalagens de molhos, refrigerante, entre outros, devem ser higienizados antes de serem guardados na geladeira. Afinal, sabe-se lá como foram transportados e  armazenados na fábrica, no mercado… Melhor nem pensar. Uma forma de fazer isso é lavar em água corrente com sabão neutro (lavagem rápida, sem encharcar) e secar com um papel toalha, ou utilizar um pano (limpo, só para fazer isso) umedecido em água. Uma boa dica também é colocar uma bandeja embaixo das caixas de leite depois de abertas, pois elas costumam suar e escorrer um pouco do conteúdo (especialmente aquelas que você corta a ponta para fazer o bico).

Muitas outras atitudes devem ser feitas para que sua geladeira fique organizada e higiênica. Mas, sobre elas falarei no próximo Post. Por hora, você já pode começar a arrumar seu refrigerador verificando se não tem comida a mais tempo do que deveria no mesmo (com o devido descarte) e colocando a partir de agora somente vasilhas limpas lá dentro.

Em tempo: Geladeira pode sim virar armário. Depois que ela estiver quebrada e perder sua função original de armazenar alimentos. Segue o vídeo da Thalita Carvalho dona do Blog Casa de Colorir que ensina como fazer esse reaproveitamento.

http://gnt.globo.com/programas/decora/videos/1970574.htm

Sobre o Ter e o Guardar o que se Tem

Você sabe tudo o que tem dentro do seu guarda-roupa, do armário da cozinha, no móvel da sala, no armário do trabalho, na gaveta do escritório? Não? Nem faz ideia? Bem, o ideal da organização de espaços é saber o que se tem e onde está tudo que se possui. Ao ter esse conhecimento, você não gasta tempo procurando objetos perdidos e tem acesso rápido ao que deseja. E ainda não passa aperto: até com falta de energia à noite, se precisar de algum item específico, irá encontrá-lo.

Você deve estar pensando: mas eu tenho tantas coisas, como me lembrar de tudo? Um dos conceitos da organização se baseia em arrumar objetos que são úteis e importantes para nós, seja porque são produtivos, seja porque temos apego emocional, ou tudo isso junto e ao mesmo tempo.  Se existem objetos dos quais você não se lembra da existência, será que realmente precisa deles? E se você sabe que o item existe, mas não faz ideia de onde o guardou, não sabe nem por onde começar a procurar (faz tempo que não o utiliza!), talvez precise rever seus conceitos do que é realmente importante na sua vida, na sua casa ou no seu ambiente de trabalho!

Você também pode estar pensando: eu sei exatamente onde estão as minhas coisas, eu me acho na minha bagunça. Mas será que suas coisas e a sua “bagunça organizada” estão no lugar adequado? Pois se você encontra tudo o que procura, mas tudo o que procura não está onde deveria estar (exemplos de locais em que estão seus objetos: pilha de coisas no sofá, na mesa da sala ou do escritório, na mesa de jantar, na cadeira, no chão num canto do cômodo, sobre a cama, etc.), você está subutilizando um espaço (sofá, cama, mesa, chão, cadeira, entre outros) que deveria servir para as funções que lhe foram originalmente designadas: sentar, comer, andar, deitar, fazer reunião…).

Uma mesa pode servir de estante? Sim! A cadeira faz as vezes de aparador? Claro! O sofá pode virar armário? Também, se na sua casa/trabalho sobrar mesa, cadeira e sofá e faltar estante e armário. Agora, se não há falta de espaço para acomodar as coisas e elas estão ali porque faltou disposição ou jeito para guardá-las em local mais apropriado, mesmo sabendo onde está tudo… este “onde” está errado. Principalmente se você não mora ou trabalha sozinho, e seus objetos estão invadindo um espaço que também é de uso de outra pessoa.

É falta de respeito e de consideração com o próximo com quem se convive impedir que ele usufrua de alguma área comum porque as suas coisas, que podem  ficar em ambientes mais convenientes, estão ali ocupando um espaço que também é da outra pessoa. E se na casa ou no trabalho não cabe tudo o que você tem, mais um motivo para refletir se todos esses objetos são realmente úteis. Ou procurar soluções alternativas como se mudar para um lugar maior, comprar mais móveis, reorganizar, entre outras possibilidades.

O que realmente não dá é pra ter e não saber que tem nem onde está, tampouco saber o que tem e onde fica, quando esse “onde” incomoda muita gente, quando esse “onde” incomoda, incomoda muito mais.

Música para ajudar na reflexão ;): Arnaldo Antunes e “Nem tudo”.

A Morte e a Reorganização da Vida

A chegada do Feriado de Finados me fez refletir sobre a dor da morte. A perda das pessoas que amamos é um sofrimento muito grande, independente de quanto tempo convivemos com as mesmas e da causa do óbito.

No entanto, é preciso viver o luto e superar essa perda, seja se apoiando na religião, na terapia,  no trabalho (remunerado ou voluntário), na família, nos amigos, etc.

Uma forma de superação desse momento tão difícil é conseguir se desapegar dos bens materiais das pessoas que se foram. É claro que o tempo para se fazer essa arrumação do quarto ou do armário do ente falecido é muito pessoal e cada um avaliará o momento em que se sentirá mais confortável para fazer tal ação. Contudo, um prazo maior do que 6 (seis) meses pode não ser muito saudável e sinalizar uma possível depressão ou negação da perda.

Para muitos psicólogos, não é recomendável essa situação de manutenção de tudo igual a como era antes da morte, pois tal postura pode dificultar o alívio ou supressão dos sintomas do luto, bem como impedir a adaptação à nova situação de vida sem aquela pessoa e a consideração de projetos para futuro.  Afinal, como repensar o meu futuro a partir de agora se mantenho não só minha mente como os espaços físicos da minha casa presos a um passado e uma realidade que não mais existem?

Pois, de que vale manter intacto um cômodo ou um armário se o dono daquele espaço não fará mais uso dele? Compreendo que a ideia de quem recorre a essa solução é não esquecer-se do familiar, e principalmente, querer mantê-lo vivo de algum modo novamente.

Porém, manter as coisas exatamente como elas eram em outro momento, quando ainda havia uma vida usufruindo de tudo aquilo, só agrava a dor, visto que evidencia o que sobrou daquela pessoa: objetos. E é muito triste manter algo a espera de um dono que não volta mais. É como se aquele ambiente e objetos estivessem ainda mais inanimados do que de fato já são.

Para os adeptos do Feng Shui, a manutenção de um espaço de alguém que já morreu faz com que a energia fique estagnada, não circule, atrapalhando a energia da casa e de seus habitantes. Manter um ambiente igual e intocável, como na época em que o seu dono era vivente é, para essa filosofia, um atraso energético imperdoável que prejudica a todos, sejam vivos ou mortos.

Ou seja, de uma forma geral a maioria concorda que o melhor a fazer é se desapegar das coisas que pertenciam ao falecido e guardar somente algumas coisas que realmente eram especiais e importantes como recordação, principalmente as fotos. Se não tiver coragem de fazer essa arrumação sozinho (a), peça ajuda a algum familiar ou amigo, ou contrate um profissional para fazer isso por você.

E não precisa se preocupar pois, se a pessoa realmente foi importante na sua vida, você jamais se esquecerá dela, mesmo que não guarde sequer um item que pertenceu a ela enquanto viva. Pois, a maior e melhor memória que temos de alguém se encontra na mente e no coração.

Sugestão: Para as pessoas que estão passando por esse momento difícil e doloroso da morte de um ente querido, recomendo os seguintes Institutos de Psicologia que possuem  profissionais especializados na Psicologia do Luto:

Instituto Entrelaços – Rio de Janeiro        luto

Quatro Estações – São Paulo

API – Belo Horizonte

Ciclo – Fortaleza

Organizando seus Exames Médicos

Quando pensamos em organização de documentos, costumamos pensar em certidões, contratos, registros, diplomas. Todavia, existe um tipo de documento que costumamos ter em grande quantidade e nem sempre sabemos o que fazer com o mesmo: exames médicos.

Pare e pense: você sabe onde se encontram todos os exames que você guarda? Tem uma vaga ideia do volume que esses papéis representam no seu armário ou gavetas? Ou você não guarda exames?

Independente do tipo de pessoa você é, acredito que esse Post vai contribuir bastante na organização desse tipo de documento.

Para começar a organização é preciso pegar todos os exames e analisá-los um a um, fazer pilhas com os papéis de um mesmo tipo e começar a triagem.

Descartar X Guardar

Há médicos que dizem que você deve guardar todos os exames que fez durante a sua vida. As pessoas mais afeitas ao “destralhamento” vão dizer que você deve jogar tudo fora. Eu digo que cada caso é um caso, e que você deve fazer aquilo que achar melhor e que o espaço que você possui te permite. No entanto, de uma forma geral, podemos estabelecer o prazo de validade abaixo:

validade dos exames

Esse “prazo de validade” dos exames costuma ser utilizado pelos médicos em geral, em especial por aqueles que atendem em processos admissionais trabalhistas. Mas não podemos levar a ferro e fogo essa tabela.

Devemos ter em mente que precisamos sempre guardar o último exame que fizemos, seja ele qual for, para quando refizermos o mesmo possuirmos uma amostra de como estávamos antes. É o que os médicos chamam de “identidade anatômica”.  Isso contribui para identificar possíveis mudanças, ainda que pequenas, na nossa saúde. Inclusive, muitos centros de imagem solicitam exames anteriores.

Em casos de pessoas que tratam doenças crônicas, exames e receitas antigos devem ser guardados para acompanhamento da doença e, até mesmo, para possíveis mudanças de profissional de saúde. Dessa forma, haverá um mapa de todo o tratamento feito e da evolução do caso. É preciso guardar tudo relativo à doença? Creio que não. Somente devem ser guardadas as receitas que prescrevem remédios diferentes. Exames de período de estabilidade do quadro patológico podem ser descartados. No máximo, fazer uma anotação no exame relatando por quanto tempo a doença se manteve daquela forma.

Aliás, essa é uma dica que pode ser usada por todos. Anotar no último exame, como estava o exame anterior. Assim você terá sua “identidade corporal” ainda mais completa. No caso de exame de sangue isso pode não ser necessário, pois muitos laboratórios já guardam o seu histórico de exames online.

Para pessoas que contraíram doenças como Tuberculose ou Câncer, que podem deixar marcas ou sequelas definitivas na pessoa, e consequentemente em seus exames, é recomendado guardar a documentação médica da época do tratamento e de depois da cura do mesmo, o que comprovará (principalmente para fins trabalhistas) que você não possui mais a doença, apenas cicatrizes do problema.

Nos casos de patologias que foram tratadas, mas que trazem um risco, ainda que mínimo, de reincidência, é mais prudente guardar também exames, receitas e todo tipo de documentação sobre o tratamento.

Como guardar

Para casas que possuem muitos moradores ou pessoas que fazem exames com regularidade, convém criar uma pasta para cada pessoa guardar seus exames. Cada pasta dessas pode ser subdividida com plásticos ou outras pastas mais finas por tipos de documentos (exames de sangue, receitas…) ou por especialidade médica (cardiologia, ginecologia, etc.), ou por doença, dependendo do caso. O ideal é que toda pasta e/ou plásticos sejam etiquetados para que você (ou alguém que precisar te socorrer ou a algum familiar da sua casa em uma emergência) identifique o conteúdo ao visualizá-las.

No caso de poucos moradores e poucos exames, pode-se fazer uma única pasta para todos (com separação por plásticos ou subpastas de cada um, também com etiquetas).

A escolha da pasta é variável, podendo ser uma pasta poliondas, arquivo, sanfonada, suspensa ou registradora a/z. Em minha opinião, a última é melhor, mas a escolha da pasta depende de diversos fatores, como quantidade de exames e espaço para armazenamento da mesma. Portanto, é preciso que você escolha aquela que mais se adéqua a sua necessidade e espaço.

Para exames grandes, como tomografias e ressonâncias, vale a pena comprar pastas tamanho A3.

Mais uma opção: escanear laudos, receitas e guardá-los no computador.

É isso! Ah, e vale lembrar: carteiras de vacinação devem ser guardadas sempre, assim como ao menos um raios-X de sua arcada dentária, principalmente se você está sempre mudando de dentista.

Relações entre a Casa e a Alma

“A casa é a morada do corpo, e o corpo, é a morada da alma; assim, a casa é a morada da alma.” *

Fonte: acasaeaalma

Achei essa frase perfeita para transmitir a minha compreensão do que é a casa na vida de uma pessoa: reflexo da personalidade – sim -, mas, principalmente, da alma. E qual é a diferença? No meu ponto de vista, personalidade é o que você é, o que te caracteriza, conjunto de qualidades que te identificam (que até se “modificam”, mas com muito esforço!). Alma é estado de espírito, variável de acordo com as circunstâncias da nossa vida (deixando claro que essa minha concepção de alma está para além de conceitos religiosos ou filosóficos, meus e de qualquer outra teoria, ok?).

A casa de uma pessoa sempre me pareceu muito mais um reflexo de como a pessoa está do que de quem ela é. É muito comum você ver casas muito bagunçadas quando a pessoa (ou um de seus moradores) está passando por problemas de saúde física e/ou mental, ou alguma outra situação com a qual não se está sabendo lidar. Assim como o excesso de organização e limpeza, também refletem uma patologia de algum morador daquela residência ou uma incapacidade de conviver com a realidade e seus problemas.

É claro que um pouco de desordem é comum e saudável, visto que a casa, antes de tudo, é um lugar para convivência e uso. Tanto quanto apreciar as coisas limpas e perfumadas nos seus devidos lugares também é bem comum e bacana. Entretanto, permitir que uma das duas situações seja uma escravidão ou a única forma de se viver é sinal de que algo não vai bem. Se uma delas começa a atrapalhar a sua vida e a vida daquelas pessoas que se relacionam com você, é preciso ficar atento e procurar ajuda de amigos, familiares e, em alguns casos, inclusive ajuda profissional e psicológica. Ou oferecer ajuda, no caso de não ser você o desordeiro, nem o neurótico da faxina e da arrumação.

Quem não está bem consigo mesmo, costuma não estar bem com os cuidados com sua casa, seja pela overdose ou pela abstinência. Portanto, bagunça/sujeira ou organização/limpeza extremadas podem ser um sinal de que as coisas não vão bem. E que essa pessoa completamente relaxada ou obsessivamente caprichosa está fazendo de sua morada uma extensão de sua alma bastante perturbada.

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*Observação: A frase da epígrafe é da dona do blog, Ana Bailune. Inclusive, achei o Blog bem interessante, pois fala sobre casas de uma forma muito poética.

Como organizar gavetas?

“O corpo humano neoplatônico, puro na época dos gregos, está hoje repleto de gavetas secretas que somente a psicanálise pode abrir”.       

Salvador Dalí

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Atendendo ao pedido de uma leitora, escrevo este post para falar sobre organização de gavetas. Para começar, é preciso dizer que amo gavetas! Elas têm o poder de deixar os móveis com aparência de mais arrumados (mesmo quando estão bagunçados, pois “jogamos” tudo dentro delas, e, desde que não as abramos, parece que o armário está super arrumado). Além de ajudar nesse truque, são “caixas organizadoras” por essência.

Outra vantagem delas é que são encontradas em quase todos os tipos de armários, de cozinha, do banheiro, de roupas, existindo até mesmo um móvel que as coloca em evidência: a cômoda. Podem ter diversos tamanhos e profundidades o que torna possível adequá-las aos diferentes itens que desejamos guardar.

Ah, e um dos meus motivos preferidos para apreciá-las: são perfeitas para metáforas, sendo muito utilizadas na literatura e na pintura, especialmente na do meu pintor Surrealista predileto Salvador Dalí, autor da epígrafe deste post e da imagem subsequente à mesma.

De uma forma geral, para arrumar gavetas, é preciso:

  1. Esvaziar e Descartar. Toda arrumação começa com a observação do que temos em um determinado ambiente, bem como do espaço que temos, limpeza do local (pano úmido e pano seco, deixando ventilar um pouco antes de recolocar os objetos), e com o descarte de objetos que estavam guardados e não precisamos ou queremos mais.
  2. Perceber como está o mecanismo de abrir e fechar. Gaveta não é máquina, contudo possui um mecanismo que nos permite abrir e fechar as mesmas. É importante verificar se os trilhos que a sustentam estão em bom estado (consertá-los se não estiverem), ou se precisam de uma manutenção com óleo para lubrificar (o qual variará conforme o material de sua gaveta e dos trilhos de deslizamento).
  3. Definir o que será guardado em cada uma delas. Essa é a primeira dica para organização. O ideal é que cada gaveta sirva para guardar um tipo de coisa. Por exemplo: gaveta só de calcinhas, de roupas de vestir em casa, de roupas de dormir, de itens de maquiagem, de talheres, de jogos de banho, de papéis para impressão etc. Outra coisa importante: colocar nas gavetas mais na altura da mão o que se usa com mais frequência, e nas últimas gavetas (que exigem que nos abaixemos) aquilo que se usa menos.
  4. Utilizar todo o espaço da gaveta. Gaveta precisa ser bem aproveitada, então, vamos fazer um bom uso da altura e profundidade da mesma. Utilizar todos os espaços possíveis que ela tem.
  5. Usar divisórias. Mesmo que a gaveta esteja guardando itens afins, o ideal é que haja nichos, caixas ou colmeias para manter os objetos “estáticos” e agrupados dentro das gavetas. Nada mais irritante e desorganizado do que itens rolando e fazendo um imenso barulho quando abrimos e fechamos as gavetas. No caso de gavetas muito espaçosas, uma boa sugestão para “colar” as caixas dentro da gaveta e evitar que fiquem dançando para um lado e para o outro é usar velcro adesivo.
  6. Dobrar bem os tecidos. Se sua gaveta for de vestimenta, ou roupa de cama, mesa, banho, é importante dobrar bem as peças, de modo que respeitem a altura e largura da gaveta. Roupas que “sobram” para fora da gaveta dificultam (e às vezes até impedem) a abertura e o fechamento da mesma. Qual a dobra ideal? Aquela que cabe dentro da gaveta, que faz menos volume e que não se desfaz com o movimento de tirar e colocar este ou outros itens na gaveta. Tem que testar até ver a dobra que melhor se adéqua ao espaço que tem e ao tecido da roupa que você vai guardar.
  7. Visualizar tudo o que tem. Uma gaveta não deve estar apenas bonita e arrumada. É preciso que a forma como você dispõe os objetos permita a visualização de tudo o que tem dentro da gaveta e o fácil acesso ao seu conteúdo. Uma ótima sugestão da guru nipônica da organização Marie Kondo é guardar os itens na vertical e não na horizontal como costumamos fazer (gera melhor aproveitamento de espaço e melhor visualização).
  8. Distribuir de forma equilibrada o peso. Gavetas cabem muitas coisas, mas não cabem tudo! Tenha atenção para não colocar peso demais nelas. Se ao terminar de arrumar a gaveta perceber que tem dificuldade ou precisa fazer muita força para abrir e fechar a mesma, é sinal de que ela está muito cheia e mais pesada do que deveria.

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Imagens: Pinterest